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Mostrando postagens de setembro, 2025

Mais do que ver, que eu possa visitar!

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Por Marcos Almeida Desde a minha infância fui apaixonado por fotografias por me conduzir a imaginações do que cada momento registrado representava. Eu olhava por algum tempo aquele papel mágico. Como isso pode acontecer? Se estava sozinho neste exercício, certamente pouco entendia o significado. Não conseguia muitas vezes decifrar o lugar, as pessoas, a ocasião. Porém, quando passava às vistas pelos retratos, com a explicação de alguém que conhecia a história, tudo mudava. Desabrochava algum significado. Até parecia que aquele instante em preto e branco de vários anos atrás começava a fazer sentido pra mim. Conhecer os antepassados, lugares onde viveram, o que fizeram, as festas e cerimônias, tudo passava por um novo olhar. Meus bisavós ao centro Pai Quim e Mãe Quinha com familiares - Anos 1960 Tempos depois, novamente voltava a procurar no fundo do guarda-roupas a caixa de fotografias para apreciá-las. Alguns casos que eu conhecia também traduzia para os novos curiosos que buscavam se...

O Esporte da Moda (Personagens de Caldas, Campestre e Muzambinho)

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Por Marcos Almeida O Brasil é um continente, Minas é um País e Caldas tem um estado de espírito de boa convivência. Procuro relembrar algumas passagens que guardo com afeto aqui neste espaço que abro o meu coração. Agora pouco, vi duas crianças “batendo bola” na rua.   Seria a moda antiga retornando? Porque sempre existe um esporte da moda, que a juventude abraça para poder se enturmar. COPAS - 1990  Quando olhamos para a história, sabemos que o futebol sempre foi um dos esportes mais praticados neste País desde o início do século passado. Basta ver as datas de fundação do Corinthians (1910), do Atlético Mineiro (1908) e da Ponte Preta (1900), só pra falar das melhores agremiações, segundo o critério do meu falecido pai. Quem não se lembra (pelo menos quem nasceu na década de 1960 ou antes) da final do Paulistão em 1977, entre o Timão e a Macaca? Basílio, o nome da emoção, depois do bate e rebate, bola na trave e, enfim, rede para sair da fila depois de quase 24 anos que o "...

Brandão e o vinho amargo!

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  Por Marcos Almeida Prof. Brandão - Rosa dos Ventos - 2007 Assuntar sobre vinho em Caldas não é de hoje. Segundo alguns escritos que tenho arquivado nos “meus guardados” dos tempos de juventude, o tema da vitivinicultura começou a rondar o município por volta dos anos 1880/1890. Quem percorre o famoso “morro do cemitério” pode até não saber, mas traz em seu logradouro uma homenagem ao padre Joaquim Ferreira d’Assumpção, que trouxe melhorias para o cultivo da videira, quando assumiu a paróquia, em função de sua nacionalidade portuguesa. Brandão e Marcos Rosa dos Ventos - 2008 Dando um pulo no tempo, a minha intenção, neste contexto, é rememorar um pouco dos primeiros passos no vale da Pedra Branca do grande amigo, Carlos Rodrigues Brandão, ou simplesmente, Brandão, um carioca que viveu e trabalhou muito tempo em Campinas/SP (mas também por todo o Brasil e exterior), psicólogo, antropólogo, professor, escritor, um ser humano que sabia como abraçar as pessoas a partir do seu sorriso ...

A humildade da Folia

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Por Marcos Almeida Quando a Folia de Reis começou foi aquele encantamento que esbarrou em mim. Nem dá pra explicar. E não cabe a mim explanar sobre esse grupo de tradição tão valiosa em nosso Brasil, pois existem autores mais qualificados. Aqui no Sul de Minas é um movimento de expressão muito persistente e resistente. Porém, acima de tudo, acredito que sobreviva por sua humildade no “cantartilhar”. Folia de Reis - Pedra Branca - Caldas/MG A qualidade de quem age com simplicidade, sem arrogância, superioridade, muito menos prepotência: a humildade. Repito, a humildade. Nem mais nem menos que ninguém. Complemento e empatia. A modéstia verdadeira traduz cada melodia entoada, cada verso recitado, com gestos e vestimentas que podem causar estranheza para o mundo urbanizado. Mas, abrindo o peito, cabe a cada expectador apreender. Vivenciar. A cantoria não se revela como “show”, mas na profunda conexão do íntimo com o sagrado. Corro o risco de querer resumir tamanha sensibilidade, onde os ...

O 7 de setembro e a revolução da pedra (crônica)

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Por Marcos Almeida Nos anos 1980, o que pouca gente comenta é que havia um grupo de adolescentes que adorava aventura e revolução, pelas bandas do Sul de Minas. Era o período final da ditatura militar, onde a pequena e pacata cidade, apesar de antiga e influente regionalmente no século XIX, reunia alguns provocadores que não toleravam a ordem unida que as escolas promoviam. O local, onde o grupo se reunia, para comer pão com mortadela acompanhado de guaraná caçula, era a famosa serra da Pedra do Coração. O líder levava o martelo – porém deixava a foice na sede da organização, no porão de sua casa – e um prego, visando furar a tampa da garrafinha de vidro pouco antes do consumo com aquele refrigerante levemente aquecido pelo calor da subida. Revolucionários da Pedra Enquanto o desfile era organizado em uma das extremidades da enorme praça, situada entre as duas majestosas igrejas, os rebeldes de calças curtas iniciavam o trajeto próximo ao morro do coqueirinho, que por várias vezes, se ...