Por Marcos Almeida Nos anos 1980, o que pouca gente comenta é que havia um grupo de adolescentes que adorava aventura e revolução, pelas bandas do Sul de Minas. Era o período final da ditadura militar, em que a pequena e pacata cidade, apesar de antiga e influente regionalmente no século XIX, reunia alguns provocadores que não toleravam a ordem unida que as escolas promoviam. O local, onde o grupo se reunia para comer pão com mortadela acompanhado de guaraná caçula, era a famosa serra da Pedra do Coração. O líder levava o martelo – porém deixava a foice na sede da organização, no porão de sua casa – e um prego, visando furar a tampa da garrafinha de vidro pouco antes do consumo com aquele refrigerante levemente aquecido pelo calor da subida. Revolucionários da Pedra Enquanto o desfile era organizado em uma das extremidades da enorme praça, situada entre as duas majestosas igrejas, os rebeldes de calças curtas iniciavam o trajeto próximo ao morro do coqueirinho, que, por várias vezes, s...
Por Marcos Almeida Duas pessoas fazem-me lembrar do torresmo, uma das mais saborosas iguarias dos mineiros: um dono de boteco em minha cidade e o meu irmão. Nasci em uma família apreciadora da carne suína, da gordura de porco para refogar o arroz e o feijão. Linguiça feita com as tripas do bicho. Por agora, vegetarianos e veganos lançam abelhas com seus ferrões aos meus ouvidos. Boteco Quem me dera não precisar controlar o colesterol, poder fritar uma costelinha para o breakfast do mesmo jeito que meu brother fazia. Acompanhamento para ingestão de fibras, poderia ser doce de abóbora, lembrando que o porquinho é apaixonado por essa cucurbita. Brasil afora, a abóbora é conhecida pelo mesmo apelido do dono do boteco: Jerimum. Os fregueses pensavam que ele tinha origem nordestina. No entanto, era filho de irlandês com uma tailandesa. A mistura trouxe um ser humano maravilhoso para o nosso convívio. A estufa de salgados no boteco do Jerimum era repleta de torresmos e linguiças. Uma pi...