Por Marcos Almeida Quando a Folia de Reis começou, foi aquele encantamento que esbarrou em mim. Nem dá para explicar. E não cabe a mim explanar sobre esse grupo de tradição tão valiosa em nosso Brasil, pois existem autores mais qualificados. Aqui no Sul de Minas é um movimento de expressão muito persistente e resistente. Porém, acima de tudo, acredito que sobreviva por sua humildade no “cantartilhar”. Folia de Reis - Pedra Branca - Caldas/MG A qualidade de quem age com simplicidade, sem arrogância, superioridade, muito menos prepotência: a humildade. Repito: a humildade. Nem mais, nem menos que ninguém. Complemento e empatia. A modéstia verdadeira traduz cada melodia entoada, cada verso recitado, com gestos e vestimentas que podem causar estranheza para o mundo urbanizado. Mas, abrindo o peito, cabe a cada espectador apreender. Vivenciar. A cantoria não se revela como “show”, mas na profunda conexão do íntimo com o sagrado. Corro o risco de querer resumir tamanha sensibilidade, em qu...
Por Marcos Almeida Duas pessoas fazem-me lembrar do torresmo, uma das mais saborosas iguarias dos mineiros: um dono de boteco em minha cidade e o meu irmão. Nasci em uma família apreciadora da carne suína, da gordura de porco para refogar o arroz e o feijão. Linguiça feita com as tripas do bicho. Por agora, vegetarianos e veganos lançam abelhas com seus ferrões aos meus ouvidos. Boteco Quem me dera não precisar controlar o colesterol, poder fritar uma costelinha para o breakfast do mesmo jeito que meu brother fazia. Acompanhamento para ingestão de fibras, poderia ser doce de abóbora, lembrando que o porquinho é apaixonado por essa cucurbita. Brasil afora, a abóbora é conhecida pelo mesmo apelido do dono do boteco: Jerimum. Os fregueses pensavam que ele tinha origem nordestina. No entanto, era filho de irlandês com uma tailandesa. A mistura trouxe um ser humano maravilhoso para o nosso convívio. A estufa de salgados no boteco do Jerimum era repleta de torresmos e linguiças. Uma pi...