Por Marcos Almeida Cajarana - 2014 (O texto completo está no livro "Onde o amor fincou raízes", a ser lançado ainda em 2026) Naquele dia de agosto, adiamos em uma semana a subida, em razão da chuva ocorrida no fim de semana anteriormente previsto, o que foi providencial, pois o tempo colaborou para a nossa aventura. Mas, ao chegarmos no cume, o sol estava escaldante. Juninho, percebendo a situação, convidou-nos para conhecer a Cajarana. — "Cajarana", o que é isso? Ficamos nos olhando e procurando a resposta. A questão seria por quanto tempo deveríamos caminhar. Fomos informados que seria por volta de meia hora. Estávamos cansados, mas pensamos numa bela sombra para lanchar. Naquele dia, havia muitas pessoas acampando e, por incrível que pareça, o espaço sob a sombra estava escasso. Então adentramos na mata. Morro abaixo e, às vezes, uma pequena subida para voltar a descer, tudo dentro de um rico ecossistema. Sons de pássaros inéditos para os aventureiros. Quando n...
Por Marcos Almeida As modernidades cutucam a saudade. Revirei as mensagens que troquei com minha mãe antes de sua partida para a eternidade. Observei cada afeto de parte a parte e ouvi novamente áudios de zelo e bênçãos. Durante os momentos de dor, notei a mudança no tom de voz e sua fragilidade. Ela, no entanto, nunca deixou de pronunciar um “fica com Deus” e permaneceu fiel, dobrando os seus joelhos diante do Sagrado. Lamento não ter registrado nossas conversas em vídeo. Quantas histórias ouvi durante o período de isolamento imposto pela pandemia. Essas lembranças, porém, permanecem gravadas no meu coração: olhares diretos ou velados, talvez por algum constrangimento, que buscavam poupar-me da dor dela. Não guardo com precisão as palavras, mas reencontro a mesma sensação do olhar materno de quando ela me amamentou. Por mais surpreendente que pareça, conservo reminiscências desses instantes e, por isso, sinto-me tomado pela gratidão. A fé nos leva a crer que um dia nos encontrarem...