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Mostrando postagens de abril, 2026

Antes do existir!

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Por Marcos Almeida Quem nunca pensou sobre o seu passado, buscando recordar momentos da infância ou da adolescência, tempo em que se ignorava as preocupações como as tais de agora? Mas, e quanto ao antes do existir, do meu e do seu nascimento, para a vivente história? Como seria se tudo fosse diferente, se uma mãe não sonhasse ou se o pai deixasse de sair da sua cidade para encontrar alguém pronta a coexistir? São tantas as questões inquietantes e abrangentes, sem um caminho único, mas construído após um choque de identidades e crenças. Alguns resistem aos pensamentos, deixam a efemeridade dominar todo o caos existencial, provavelmente superficial, sem resgatar qualquer resquício de quando ninguém poderia imaginar o que cada um se tornou. Capricho dos meus devaneios? Agora, a urgência da rotina, examinando toda minha cartilagem embriagada pelo nada, busco meu último respiro no vazio, simplesmente olhando para um retrato esquecido no fundo de uma gaveta ou em um quadrinho comido pelo cu...

Pra ficar perfeito

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Por Marcos Almeida  Janelas com seus ferrolhos deixaram a luz lá pra fora. A aurora chegou? Cá dentro, silêncio. Silencio meu ímpeto do despertar procurando sentir o que não está aqui. Levantar pode ser um ato cotidiano, mesmo sem um plano. O aroma do café mais a broa de milho requentada, erva doce na massa, forraram meu estômago e aprumaram meu corpo. Enfim, a manhã festiva: ensolarada. Espio de mansinho, atento à friagem. Rumo ao muro, acomodo meus cotovelos sobre uma "talbinha" que perde, aos poucos, o seu verniz. Observo: a serra, a pedra, a mata, o céu. Pra tudo isso tiro o meu chapéu. Ouço um gemido melodioso. Depois, o bom dia, de quem cantarolava, ao vizinho. Amora cá fora e Cacau, aninhada, lá dentro. Como nem tudo é perfeito, o rádio, ao lado, é ligado. A voz de um locutor dizendo-se apaixonado, tocando as mesmas modas de ontem e, por certo, do antontem também. Chorosa, melosa, dolorosa. A siriema, lá pra baixo, a gargalhar, lê meus pensamentos. Mas para ficar pe...

Simples

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Aqui, tudo é simples. Tudo ornado pra não esfregar na minha cara qualquer rudeza da vida. Me assento, olhando ao fundo para a serra, a qual ouso chamar de travessia. Parte da cidade até chegar na Pedra Branca: estrada de chão. O caminho muda quem acredita percorrer. Sobra tempo pra pensar. E ver. Ou mesmo, ouvir o interior antes de ser pavimentado. Subir, entre curvas pedregosas. Sabedoria não iniciar descalço. Percalço. Convite ao sonho, espera no abandono, um entardecer ao sabor dos passarinhos. Querem seus ninhos. Currilas, canarinhos, maritacas, rolinhas e uma leva de bem-te-vis. Tudo sob a vigilância da rocha pulsando um coração, de pedra, mas vivente. Abaixo, flutuam árvores e outro emaranhado granítico. Uma delas, dizem, ser do frade. Tarde. O sol declina no pé do morro, caindo pra outras bandas, de mansinho, no restinho de calor. O reflexo luminoso sobre o prado encanta meus olhos. Uma grande nuvem, tão rala, combina seu espaço com o azul do firmamento. O cenário cativa qualque...

O que ninguém quis lhe contar

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Por Marcos Almeida Você é do tipo de gente que ouve atrás da porta pra não perder a novidade? Ou opta em olhar-se através do espelho na expectativa de sua beleza ser o seu escudo? Narcisinho Desculpe-me, foram apenas perguntas para lhe incomodar diante de uma simples provocação! Mas, o que causa pavor na gente, na vivência afetiva e profissional, é ser o último a saber. Mesmo quando não de propósito ou para poupar de algum desencanto. Ficar na espreita, portanto, acaba sendo a defesa natural, talvez até inconsciente dos devaneios de uma mente traiçoeira diante da total imprevisibilidade da vida. Você corre ligeiro a fim de evitar uma tocaia emocional, escapando ileso ou prefere enfrentar a munição cruel da efemeridade? A segunda opção pode abater o alvo, mas escancara a dura realidade da perseguição descoberta somente no desfecho. Algo estúrdio, esquisito, aparentemente. Entretanto, o caso simulado é pra se pensar, porque a inclinação continua sendo igual a do tendeiro passando lon...