O excesso que causa o vazio
A grande preocupação quando ando pelas ruas é se alguém irá me parar para me questionar de qual lado estou. Sempre uma pesquisa de opinião ou intenção de voto: você é democrata ou republicano? Respondo: Ambos!
Aquele que repetiu milhares de vezes, “não fiquem em casa, é só uma gripezinha”, agora é convocado para o seu “stay home” com a trilha sonora “The Star-Spangled Banner”. Continência, obediência, Tio Sam, parece que a idolatria foi sucumbida à Soberania.
São tantas as matérias e postagens que buscam a minha – a sua, a nossa – atenção, um calabouço que impede qualquer mente conquistar seus objetivos cotidianos. Não vou ao supermercado; deixei de lado meus remédios; fiz uma panqueca para aliviar o tédio. Neste dia sem sol para todos, mas com a luz acima das nuvens para o nosso imenso País verdadeiramente verde, amarelo, azul e branco.
Pode ser que estamos vivendo como que na tentativa de identificar em uma fotografia duas pessoas, ao longe, contrastando com a claridade ao fundo que escurece as suas imagens. Temos a certeza de que são duas pessoas, mas se não as conhecemos, ficamos sem conseguir identificar. Por isso, reflito e acredito que, uma hora dessas, tudo poderá voltar ao que era, onde construíamos estradas e pontes, desfazíamos os muros e cercas, semeávamos em terra boa, partilhando dons e corações. Minimamente, sonhávamos com tudo isso. O que certamente nunca foi esse vazio de agora...

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