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Vou ver retrato velho!

Por Marcos Almeida


Essa mania de ficar fuçando nos retratos antigos acaba trazendo alguns questionamentos sobre fatos contraditórios. Quem não pensa em um mundo de paz e de guerras? Paz no singular, porque é a plenitude em um emaranhado em busca da felicidade; guerras, muitas, opressoras, horrendas, estabelecidas pelos mais poderosos, insaciáveis em seus desejos sem nexo, oprimindo até os seus próprios soldados nas trincheiras de vanguarda.

Lá pelos anos 1978
Sítio Santa Bárbara - Pedra Branca
CALDAS/MG

Um passado feliz, lépido, fruitivo, simples, recordado através de uma fotografia um tanto desbotada, estonteia um diálogo interno acabrunhado pela inocência insistente em um coração amadurecido. O fato de estar aqui, tendo em vista um elevado percentual de certeza, foi pelo fato de ter passado longe de conflitos armados e mal-amados. É vantajoso para os que buscam uma longa vida não serem ameaçados por facas pontiagudas, balas de revolveres, espadas afiadas ou flechas envenenadas. Também, por morteiros, granadas, bombas e mísseis. Pura sorte em um mundo construído sobre as batalhas ensanguentadas. Outras vezes, maior ventura de todas, um bom desígnio em um lar verdadeiro, sem ameaças ou manipulações, imposições e domínios, especialmente para mulheres e crianças. Podemos dizer, a vida em sequência, um fado. Para outras, especialmente, um fardo. Se é que alguém entende...

Agora, abro alguma tela, sigo as notícias distorcidas e deturpadas, meus conceitos se esborracham sob meus pés, me curvo ao pensamento dominante, pois tudo fica muito mais fácil sem arrazoar. Arrogância de alguém cativo de determinismo alheio?

O intento de tão poucos sucumbem o restante. Quem pode, fica de olhos abertos, atento. Mas e eu? Nós? Nem tento, por falta de tempo. Minto, muito mais pelo que não sinto. Acanho, vez ou outra, melhor nem perceber o estrago da vida, o seu esfacelado tamanho.

Uma cena feliz pode estar no passado, mas não sai do meu coração. Só quero pensar nisso diante de tudo o que os formadores de opinião – disfarçados inquisidores - nos impõem. Então, chega. Vou ver retrato velho!


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