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Antes do existir!

Por Marcos Almeida


Quem nunca pensou sobre o seu passado, buscando recordar momentos da infância ou da adolescência, tempo em que se ignoravam as preocupações como as tais de agora? Deixamos de considerar o "antes do existir" para quem entra na história de alguém? Como seria se tudo fosse diferente, se uma mãe não sonhasse ou se o pai deixasse de sair da sua cidade para encontrar alguém pronta a coexistir?

São tantas as questões inquietantes e abrangentes, sem um caminho único, mas construído após um choque de identidades e crenças. Alguns resistem aos pensamentos, deixam a efemeridade dominar todo o caos existencial, provavelmente superficial, sem resgatar qualquer resquício de quando ninguém poderia imaginar o que cada um se tornou. Capricho dos meus devaneios?

Agora, a urgência da rotina, examinando toda minha cartilagem embriagada pelo nada, busco meu último respiro no vazio, simplesmente olhando para um retrato esquecido no fundo de uma gaveta ou em um quadrinho comido pelo cupim — muito mais que um. O vidro trincado, preso pela moldura, protege ainda mais a cena. Pois há perigo de cortar os dedos, e o coração resistente ao choro é capaz de gerar o meu (seu) sentido. Acabei esquecendo?

Tio Zé Nilton, Vô Cida, Tia Arlete, (?), 
Ivete (minha mãe) e Terezinha.

Como diz o outro, na surdina podemos encontrar algo inimaginável ou amoitado, evitando constrangimentos ou revelações. Quem poderá tornar-se o curandeiro dessa insanidade na insistência em desvelar uma etapa do enredo que nem sequer foi meu?

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