O que ninguém quis lhe contar

Por Marcos Almeida

Você é do tipo de gente que ouve atrás da porta pra não perder a novidade? Ou opta em olhar-se através do espelho na expectativa de sua beleza ser o seu escudo?

Narcisinho

Desculpe-me, foram apenas perguntas para lhe incomodar diante de uma simples provocação!

Mas, o que causa pavor na gente, na vivência afetiva e profissional, é ser o último a saber. Mesmo quando não de propósito ou para poupar de algum desencanto. Ficar na espreita, portanto, acaba sendo a defesa natural, talvez até inconsciente dos devaneios de uma mente traiçoeira diante da total imprevisibilidade da vida.

Você corre ligeiro a fim de evitar uma tocaia emocional, escapando ileso ou prefere enfrentar a munição cruel da efemeridade? A segunda opção pode abater o alvo, mas escancara a dura realidade da perseguição descoberta somente no desfecho. Algo estúrdio, esquisito, aparentemente. Entretanto, o caso simulado é pra se pensar, porque a inclinação continua sendo igual a do tendeiro passando longe do madeiro.

Observe, portanto, o quanto julgar a si mesmo suspende decisões corriqueiras e fundamentais diante da consciência do inesperado. Nem todos serão transparentes. Existem segredos e silêncios, geradores de curiosidade alheia. Só a confiança recíproca dissipará as nuvens carregadas, precipitando sobre o solo ressequido para, ao final, enxergar o azul da alma iluminada pelo sol do conhecimento.

Após tanto floreio, continua valendo a percepção, nua e crua, de que existe algo que ninguém quis lhe contar, tentando amenizar o seu fardo ou impondo outro mais pesado. Vai saber...

 


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