Primeiro incômodo

Por Marcos Almeida

Tenho torcido pela Seleção Canarinho na saga futebolística de 2026, na Copa dos Três Países. O meu sangue ferve. Muito mais pelo fato de que não dá para esquecer os momentos passados, das vivências nos campinhos e quadras de Caldas e Pocinhos desde a primeira infância e adolescência. Ainda sofro com o foguetório de 1970 quando alguém gritava sobre um tal "tri", passando pelos nocautes de um 2x3 (Itália) em 1982 e de 1x7 (Alemanha) no Mineirão (até esqueci o ano).

Mas as copas de 1994 e 2002 foram dignas de explosão de felicidade. Momentâneas alegrias, na verdade. No tetra, as notícias ruins na política e economia, culminavam com a caristia de tantos irmãos; no penta, o povo brasileiro sonhava em sair do mapa da fome, com sucesso alguns anos depois. Certamente nem tudo poderia ser perfeito.

O torcedor mais fiel

O fato é que, a cada quatro anos, procurei muito mais do que álbuns e figurinhas. Com 8 anos, em 1974, torci muito mais por Rivelino, Leão e Marinho. Sonhei – e sonhávamos - em colecionar convivências e testemunhar lances memoráveis e boas pelejas.

Então, em 2026, mesmo acreditando no hexa, não consigo deixar de lado ao menos dois incômodos. Vou abordar apenas um deles. Talvez, nem todos concordarão. E provoco com indagações:

Alguma propaganda nos meios de comunicação abalam o seu tesão em buscar notícias sobre a copa da FIFA? Você acessa as redes sociais, os vídeos, as notícias nos sites, e quem vem atrapalhando a nossa torcida? Ou melhor, algum reclame (como dizia antigamente) tenta nos forçar a apostar contra uma Pátria de Chuteiras?

Gamers, influencers, tigers?

Será que será que pode ser o preço para não sobressair os antipáticos ou mesmo antipatriotas nos desligando das partidas de futebol?

Tente agora, pois é a sua vez! Procure alguma notícia sobre qualquer "jogo" desse Mundial com tantos "jogos" e aposte se estou certo ou errado. O seu ídolo do passado também se curvou diante da necessidade de mais alguns dólares na gorda conta em lugares paradisíacos?

Finalizo, depois de um bate-bola, que o meu primeiro incômodo pode tornar-se aversão...


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