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O que nos resta aprender?

Por Marcos Eduardo de Almeida

"Quando entrar setembro" não é o nome da canção de Ronaldo Bastos e Alberto de Castro (Beto) Guedes, gravada em nossas mentes por meio de uma voz marcante. Na verdade, o título desse poema é "Sol de Primavera". Faço questão de destacar isso, pois é o que carecemos após o frio do inverno: de sol! Quando a previsão antecipar os dias chuvosos, devemos nos lembrar de que ela não conflita com o que se aprende com esta bela melodia.

Pedra Branca - Caldas/MG

Confesso que sinto pavor de chuva "braba", com trovões e relâmpagos, especialmente aqueles que me acordam em alguma madrugada. O trauma que tenho despontou na minha infância, em duas ocasiões marcantes. A primeira experiência foi quando vi um raio derrubar um pinheiro numa baixada do bairro Pedra Branca, em Caldas/MG, onde ficava o sítio dos meus avós, Zé Cândido e Cida. Poucos anos depois, em Muzambinho/MG, ao presenciar, junto ao meu pai, uma enorme faísca que incendiou o telégrafo dos Correios durante uma tempestade. Desenvolvi, então, aversão ao chamado "mau tempo", mesmo sabendo da sua importância para a terra seca e nascentes.

Há um ditado que conservei em meu coração, ouvindo alguns contadores de causos de Caldas: "se o céu está pedrento, amanhã tem chuva de vento" ou algo parecido. Esse termo relativo a pedra no firmamento parece cabuloso. Mas é uma alusão às nuvens em forma de pedras. E acho lindo. Então, jamais deixo de observar isso e, de fato, não se trata apenas de crendice; é, no mínimo, um saber empírico.

Quem dera fosse assim também nas eleições. Os sinais nos cercam e antecipam ao menos um dia nublado com pancadas isoladas; porém, desconsiderarmos um fenômeno climático, como o El Niño, acaba sendo o nosso maior equívoco. Se a sua influência impactar a atmosfera, dando peso às nuvens, não há como conter — a chuva atingirá a todos. Por isso, é sensato observarmos o clima político. Isso nos remete a um trecho da canção mencionada: "Já choramos muito. Muitos se perderam no caminho." Não cabe a nós desaprender a experiência da pandemia e do pandemônio que virou o Brasil, que trouxe tempestades devastadoras sobre vidas humanas.

Assim sendo, percebamos o vento quente e o mormaço, ou talvez o calo que nos incomoda. Porém, o polegar dolorido de muita gente, com calosidade profunda, não suportará outro calorão da insensatez. Um ambiente acalorado e a fábrica de mentiras são inseparáveis. Portanto, fiquemos atentos à mensagem final da música: "A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender."

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