Por Marcos Almeida Acordei em um susto após uma bomba explodir aqui perto de casa. Senti meu coração disparar e levantei num pulo só. Foi quando minha filha disse-me que a molecada brincava no campinho perto do córrego, comemorando o Dia das Crianças, soltando foguetinhos. Xinguei, confesso. Não gosto quando minhas primeiras palavras são impensadas. Mas tudo bem. Preciso fazer tantas coisas que... Antes do almoço, pensei em meu irmão, que morreu na década de 1980. Foi um sofrimento lá em casa. Mamãe quase entregou os pontos. Fiquei com ciúmes, achando que ela gostava só dele. Fui ao velório sem a mínima vontade. Afinal, julgava que a morte tinha sido escolha dele. Foi de AIDS. Muitos amigos nem foram despedir-se dele no caixão, expondo apenas o seu rosto por uma janelinha na tampa. Nada a ver / Tudo a ver Mais tarde, olhei pela janela do quarto. O sol cadente resvalava a serra após a chuva mansa. E o arco-íris contornava minhas memórias. Isso é Minas Gerais. Mais tarde vou rezar ...