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Cajarana

Por Marcos Almeida

Cajarana - 2014

(O texto completo está no livro "Onde o amor fincou raízes", a ser lançado ainda em 2026)

Naquele dia de agosto, adiamos em uma semana a subida, em razão da chuva ocorrida no fim de semana anteriormente previsto, o que foi providencial, pois o tempo colaborou para a nossa aventura. Mas, ao chegarmos no cume, o sol estava escaldante. Juninho, percebendo a situação, convidou-nos para conhecer a Cajarana.

— "Cajarana", o que é isso?

Ficamos nos olhando e procurando a resposta. A questão seria por quanto tempo deveríamos caminhar. Fomos informados que seria por volta de meia hora. Estávamos cansados, mas pensamos numa bela sombra para lanchar. Naquele dia, havia muitas pessoas acampando e, por incrível que pareça, o espaço sob a sombra estava escasso. Então adentramos na mata. Morro abaixo e, às vezes, uma pequena subida para voltar a descer, tudo dentro de um rico ecossistema. Sons de pássaros inéditos para os aventureiros. Quando nos aquietávamos, a natureza dava a sua resposta: ora com silêncio, ora com melodias do balanço das árvores. E tantas outras maravilhas.

As raízes das árvores, em meio à floresta, surpreendentes, demonstram que, tendo base e união, qualquer família supera seus obstáculos. Parasitas em troncos enfeitando o trajeto rumo ao que tanto ansiávamos conhecer. O gemido de um ou outro caminhante nos dava a impressão de que o tempo previsto fora extrapolado. E a pergunta constante era: tá chegando?

E com toda a paciência do mundo, nosso guia nos apresenta a alguns metros de distância, no meio de muitas outras árvores, a magnífica cajarana. Com uma altura acima de trinta metros, creio, ficamos parados para contemplá-la. Mas não muito estáticos. Como diz o ditado: “mineiro tem que colocar a mão para ver”. E fomos tatear o tronco que escondia parte do grupo do outro lado. E antes de qualquer outra experiência, aos pés daquele monumento natural, sentamo-nos naquele chão para descansar. Discutimos a idade da árvore. Duzentos, quinhentos anos? Muito tempo, certamente.

Após o lanche, almejamos abraçar aquele lenho enorme. Éramos nove. Juninho ficou filmando e fotografando. Quatro homens e quatro mulheres de mãos dadas e com os braços bem esticados. Só assim conseguimos, com muito esforço, abraçar o tronco da cajarana. Isso, nenhum de nós vai olvidar. Emoção de filhos da terra. Parece que fomos chamados a nos adaptar, precisando apenas colher as riquezas que nos são oferecidas com o máximo de respeito e cuidado: apalpar sem talhar; rodear sem derrubar.

Pesquisando sobre a cajarana aprendi que pode ser a cabralea canjerana ou cedro-canjerana, também conhecida como canjarana. Para mim, não importa que a classificação não esteja correta. Só tendo experimentado da maneira "sui generis", clamo por dizer: foi uma honra. Sob sua majestade não há tirania, diferentemente da nossa pequenez humana.

Ao retornarmos para as nossas rotinas, continuávamos embriagados pela sinergia daquele lugar que, quando se comenta em rodas de aventureiros, parece tratar-se apenas de uma caminhada ao topo de um maciço rochoso, ao cume de uma serra. Certamente, não. Encontramos um conjunto perfeito de uma natureza que insiste em se manter acolhedora e servidora, conectada ao cosmos.

Repito o conhecido questionamento: como alguém pode dizer que ama a Deus que é invisível e desprezar a natureza tão linda diante dos olhos?

Pedra Branca - Zé Cândido e sua turma

Milva, Júlia, Otávio, Marcos e Juninho - 2007


Sítio Zé Painha / Maria José - 2007


Jardim das pedras - Pedra Branca - Caldas/MG


Pedra Branca - Caldas/MG


Alto da Pedra Branca - Caldas/MG - 2007


A trilha - Pedra Branca - 2014


Família Garcia Ribeiro - 2014







Comentários

  1. Mais um texto excepcional, rico em detalhes e emoção! Amei o vídeo!

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  2. Li o texto imaginando as belas paisagem. Em breve, quero fazer essa caminhada.

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  3. Li o texto imaginando as belas paisagens Em breve, quero fazer essa caminhada.

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  4. Muito bom. Fui duas vezes. Agora só de helicóptero rs.

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  5. Adorei conhecê-la! Adorei a dica!

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