A audácia do erro
Por Marcos Almeida
Estar errado, hoje em dia, não é nada! O difícil é estar ao
lado dos que erram e tentam se corrigir com desculpas sem reconhecerem a-culpa.
Para alguém merecedor de audiência, um pingo é uma letra, mas uma notícia
jamais será um pingo no oceano. Óleo e água não se misturam, a menos que sejam
para um bolo, de falsidade, de desonestidade, de apego ao ódio. E o fermento
faz a massa crescer.
| Briga de pedras? Engano ou erro? |
Pobre coitado, ninguém olha pra trás por nada. Se olhou, algo incomodou. Pra quem joga truco sabe, gritar “seis mio” pode ser insensatez se a cara de pau não for maior do que o blefe de quem tem apenas um “sete de copas”. Sete maior que seis? Impotência, do parceiro gelado em uma mesa sem ser defunto, ficando apenas na torcida por não ter a mesma audácia do “gargantão”.
Mais uma vez, digo: estar errado pode ser melhor do que
estar certo. Afinal, quem afirma não claudicar, se enganou, se iludiu, dormiu
no ponto, o ônibus passou, ninguém cutucou, começou a chover, despertou para
esperar o próximo, porém, só amanhã de manhã. Moro em Jaçanã. Torço no maracanã,
mesmo em pelada de quarta de manhã. Quem está jogando?
Alguém concede uma entrevista. Pronto. Tá certo. Não. Tá
errado, não falou o que eu penso. Sim, mas meu tesouro está na verborragia do
desalmado, com arma de dedo (dedurou-se) e cercado de piratas aguardando a
gancho. Se alguém não chega, desisto. Prefiro não ver o que é preciso ser
visto. Parece esquisito, sofrer igual mosquito quando a geada corre o campo
liquidando a safra. Não pela produção, mas por falta de assunto, porque o
zunido na madrugada pode ser pior do que a verdade revelada sem a devida
concordância.
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