Pra ficar perfeito

Por Marcos Almeida 

Janelas com seus ferrolhos deixaram a luz lá pra fora. A aurora chegou? Cá dentro, silêncio. Silencio meu ímpeto do despertar procurando sentir o que não está aqui. Levantar pode ser um ato cotidiano, mesmo sem um plano.

O aroma do café mais a broa de milho requentada, erva doce na massa, forraram meu estômago e aprumaram meu corpo.

Enfim, a manhã festiva: ensolarada. Espio de mansinho, atento à friagem. Rumo ao muro, acomodo meus cotovelos sobre uma "talbinha" que perde, aos poucos, o seu verniz. Observo: a serra, a pedra, a mata, o céu. Pra tudo isso tiro o meu chapéu. Ouço um gemido melodioso. Depois, o bom dia, de quem cantarolava, ao vizinho.

Amora cá fora e Cacau, aninhada, lá dentro.

Como nem tudo é perfeito, o rádio, ao lado, é ligado. A voz de um locutor dizendo-se apaixonado, tocando as mesmas modas de ontem e, por certo, do antontem também. Chorosa, melosa, dolorosa. A siriema, lá pra baixo, a gargalhar, lê meus pensamentos.

Mas para ficar perfeito, bastou meu amor chegar, encostando seu rosto no meu peito. E ficamos pra "quentar o sol"! 



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