O 24 de dezembro e a nova revolução da Pedra!

Por Marcos Almeida

As ruas de paralelepípedo resistiram ao tempo e sustentaram a evolução da revolução da Pedra, especialmente no Natal de 2017, na minha terra natal. Ninguém poderia imaginar uma quantidade expressiva de revolucionários, entre eles, alguns desafetos dos desfiles setembrinos obrigatórios, mas que naquele momento marcharam pedindo respeito à legislação vigente, a garantia de nossa Pedra Branca gigante. Os que buscavam impor retrocesso ao artigo que a sustentava livre do colapso, sentiram o peso da união. A palavra de ordem era a preservação da serra que abriga o maior patrimônio natural de uma pacata cidade que, tempos atrás, também pensou ter urânio infindável. Sobre este tema paralelo, o que vimos após total exploração foram os seus rejeitos misteriosos e escondidos, adicionados por outros tantos “presenteados” também por gente de fora, uma tal torta difícil de engolir. Parecendo vocação minerária, surgiram por fim, pedreiras – razão desse relato subversivo – com suas bombas no meio do dia.

A nova revolução da Pedra

Para manter uma lei de pé, a luta envolveu muitos; outros tantos esconderam-se; a maioria ficou na sua luta cotidiana e olharam pelas suas enormes janelas uma barulhenta revolta. Talvez, no interior do coração, quisessem ser do movimento, impossibilitados pela “ordem unida” dos que decidem destinos e votos com as migalhas costumeiramente derramadas pelo entorno vulnerável. Só não pensaram existir coesão maior por algo que poderia ter passado desapercebido por todos. O mote do progresso seduz e arrebata de surpresa os que cultivam, em suas orações, a última salvação.

Os revolucionários e os paralelepípedos

Foi, portanto, num 24 de dezembro, véspera do nascimento do Verdadeiro Menino, que as primeiras pedras nos pés dos orquestradores de mudanças desastrosas que os revolucionários impediram de acontecer. A marcha contornou a imensa praça com faixas e cartazes. Diante da igreja Matriz, a foto histórica dos revolucionários. E vale lembrar que, parte da resistência, agora não pode mais combater, motivos diversos. Por isso, precisamos deixar cada registro como valorização daqueles gritos por entre sorrisos dos que compareceram nesta passeata. Tal legado nos fortalece!

Quem luta vive eternamente!

Porém, as explosões não pararam, sendo um forte alerta de que ainda temos muito para conquistar. Isso a revolução não conseguiu verter, apesar do topo da serra permanecer amparada, teoricamente. A história é categórica em escancarar que a natureza nasce perdendo e o homem se agiganta iludido de uma falsa conquista. Cabe, aos insurgentes, a resistência, mantendo os pés dos explorados no chão.

Quem luta jamais se entrega!

O tempo correu, escorreu pelos dedos, parece nem ter passado e a nossa terra converteu-se em rara e, sendo assim, a lei da oferta e procura, poucos mandando sem a grande maioria entender, narrativa imperativa do avanço para o povo, embrulhado com meia dúzia de palavras promissoras e sabe-se lá mais o quê? Quem a adquire à fórceps são os de fora, mas quem paga somos nós, de dentro? Perder a oportunidade (para quem?) torna-se o argumento do comprador; o incrível é perceber que quem vende não consegue colocar o preço.

Quem luta canta pra sempre!

A fonte ainda não secou e a serra continua jorrando água, matando a sede inclusive dos vendilhões, mas rebrotando em inúmeras consciências. O maciço esculpido pela ação da chuva e do vento contribui para a reserva que escoa pelos vales e campinas, espalhando pelo interior e exterior, até alcançar aquíferos, oceanos e nuvens. A água também é rara. E no amortecimento que promete gerar riqueza (para quem?) implica sua evaporação caso não haja cuidado.

Quem luta permanece! E fica!

A soberania do País não pode permanecer em risco, onde alguns poucos vendem suas almas para outra bandeira (ou seria para o diabo, que divide?). A nossa questão seria semelhante?

Dia histórico

Os rebeldes estão em suas cavernas: ou com suas garantias ou com suas inquietudes e indignações. Ficando dentro ou fora, a evidência da raridade é o amanhã. Melhor sair, ir pra rua, reunir. É momento de revolver o terreno do senso comum compactado pela inércia do marasmo aconchegante e, por isso, quem pode inspirar-nos é o nosso espírito rebelde dormente. Se um dia conseguimos proteger nossa Pedra Branca tão rara, nossa terra, água e ar também merecem nosso esforço.

A revolução continua

Impossível cravar um desfecho favorável à vida. O matuto sabe da sua pequenez diante da força do metal e sob o poder da propaganda (um rolo-compressor sobre as mentes e corações). Só alçaremos a grandeza se estivermos prontos para a ebulição e a movimentação coordenadas. O que é de todos não pode ser lapidado como exclusividade. Precisamos reacender a coragem para resistir como aquelas pedras travadas que contornam unidas pela nossa praça central, em memória a todos os revolucionários que enfrentaram ditaduras e conchavos!

Nossa Pedra Branca

Caso desejar conhecer a primeira parte da "revolução da pedra", uma ficção, diferente desse questionamento acima, clique no link abaixo:

O 7 de setembro e a revolução da Pedra












Comentários

  1. Que lindo e necessário registro!

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    1. Quando falamos a palavra História, a tendência é pensarmos em acontecimentos muito antigos e sob a ótica do dominador, do vencedor. Porém, o que vivemos hoje já é História. Esse registro de pouco tempo - afinal 2017 foi ontem - tem o objetivo de ajudar a nossa comunidade a entender que só podemos fazer parte da História se estivemos na luta! Obrigado pelo incentivo!

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