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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Caldas, por um tempo...

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 Por Marcos Almeida Caldas, por um tempo, nasci. Fui batizado, dia seguinte, estando lá Padre Gervásio, meu pai, meus avós, minha tia. Mãe no resguardo, Dona Fia, a parteira, recomendou. A praça de pedras, de jardins, sem muita interferência desnecessária, poucos carros, inúmeros caminhantes, duas igrejas por ali, igrejinha lá no alto. O coreto, ora banda, ora livros, ornava com o Rosário.  Os casarios, sobrados de outrora, por um tempo completavam. Hoje, poucos resistem, ninguém se incomoda,  virou moda outra coisa. Caldas, por um tempo foi outra, hoje não sei, vivo distante. Perdi raízes, quiçá, recupero, olhando um retrato perdido, então achado, maculado. Então, agora vejo com os olhos do coração. Anos 1940? Anos 1960?

Por entre beliches, caronas, foiçadas e abacates - Parte IV

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  Parte IV LEIA ANTES AS OUTRAS PARTES DESSA HISTÓRIA PARTE I -  CLIQUE AQUI PARTE II -  CLIQUE AQUI PARTE III -  CLIQUE AQUI Qualquer um que tenha vivido um tempo naquela escola agrícola poderá estar comigo nesta recordação. Cada pedacinho gerou uma memória afetiva: os bancos do pátio, a caixa d’água, a estradinha de terra até o estábulo, o pomar e o cafezal. Mas, digo que havia um lugar que fazia a gente balançar, o corpo e a alma. Eram os abacateiros, especialmente quando a gente tinha um tempo para um descanso sob a imensa sombra. Após a preguiça, enquanto alguns catavam os frutos caídos com algumas bicadas de passarinho, outros subiam em seus galhos tentando colher os mais bonitos nas enormes copas das frondosas árvores. Era momento de muita risada, de contar causos e vantagens, de ralar as pernas nos galhos roliços e de não perder o jeito de criança. Sabíamos que a comida do refeitório, especialmente no jantar, não dava a sustança para uma galera em plena fas...

Por entre beliches, caronas, foiçadas e abacates - Parte III

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  Parte III LEIA ANTES AS OUTRAS PARTES DESSA HISTÓRIA PARTE I -  CLIQUE AQUI PARTE II -  CLIQUE AQUI Era compromisso dos futuros técnicos em agropecuária seguirem as regras da direção e da supervisão. Quando nos ausentávamos da escola nos fins de semana, precisávamos avisar se voltaríamos no domingo ou na segunda-feira pela manhã. Havia um monitor para conferir de acordo com o número do aluno. Não era permitido perder a primeira aula as 7h da manhã, fosse em sala ou prática (no estábulo, na pocilga, na horta, etc). Também não era permitido sair de férias antecipadamente. Essa bobeira eu dei quando estava no último ano, porque estava tranquilo com as notas e louco para “cumprir” alguns compromissos juvenis em minha terrinha. Mas quando voltei para acertar as questões para a formatura, fui surpreendido por um professor com uma foice e um pasto inteirinho para roçar, por não me sujeitar ao regulamento. Foram três dias de serviço pesado do pobre “gabiru”. Meu pai ficou sab...

Por entre beliches, caronas, foiçadas e abacates - Parte II

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Por Marcos Almeida Parte II Leia a PARTE I desta história, link abaixo: PARTE I - CLIQUE AQUI Confesso que a primeira semana, em um colégio considerado como semi-internato, foi difícil pra mim. Chorei. Dava um jeito de me esconder, nos meus iniciados quatorze anos. E também engoli o choro. Nem sei se isso fez bem ou mal para o meu psicológico. Mas eu ouvia a voz da minha mãe dizer que deveria aguentar firme. Tinha pavor de envergonhá-la diante de algumas amigas que incitavam a sua imaginação, que eu não aguentaria o tranco e a escola era para quem estivesse acostumado a trabalhar na roça. E, talvez, por força das línguas, realmente aconteceu o esperado trabalho duro. Logo de cara pegamos um enorme terreno para capinar. Após as férias, o mato havia tomado conta de onde seria a horta. E lá fomos nós. Uma turma de trinta, pois as outras turmas estavam em outras áreas. Recebi a minha enxada, agarrei no guatambu e saí mais cavoucando do que capinando. Eu, saí com a mão sangrando, de tão f...

Por entre beliches, caronas, foiçadas e abacates - Parte I

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Por Marcos Almeida Parte I Cutucar o passado pode ser algo provocativo. Pensar assim, me faz ter cuidado com os meus rabiscos e luto para não condenar os olhares apenas curiosos – no bom sentido do termo – levando em consideração que as experiências que compartilho são pessoais, pelo menos aqui neste caso, sendo possível provocar sentimentos adversos. Mas, talvez, seja apenas uma preocupação ou dúvida desnecessária. Sempre é muito difícil tratar de alguma vivência tentando convergir para o ponto de vista de alguém que não passou pela mesma situação, e que necessita, por vezes, aprofundar no texto para captar o significado da mensagem. Acredito que há uma grande responsabilidade: o emissor deve reconhecer esse desafio. E certamente, o receptor necessita atentar e buscar nas entrelinhas os inúmeros códigos e senhas. Sim, exige esforço. Estar aberto, portanto, a algo que não havia explorado ou embrenhado, pode fazer a diferença para uma conexão desejada. Escrever parece ser mais fácil. ...