Simples

Aqui, tudo é simples. Tudo ornado pra não esfregar na minha cara qualquer rudeza da vida. Me assento, olhando ao fundo para a serra, a qual ouso chamar de travessia. Parte da cidade até chegar na Pedra Branca: estrada de chão. O caminho muda quem acredita percorrer. Sobra tempo pra pensar. E ver. Ou mesmo, ouvir o interior antes de ser pavimentado. Subir, entre curvas pedregosas. Sabedoria não iniciar descalço. Percalço.


Convite ao sonho, espera no abandono, um entardecer ao sabor dos passarinhos. Querem seus ninhos. Currilas, canarinhos, maritacas, rolinhas e uma leva de bem-te-vis. Tudo sob a vigilância da rocha pulsando um coração, de pedra, mas vivente. Abaixo, flutuam árvores e outro emaranhado granítico. Uma delas, dizem, ser do frade. Tarde.


O sol declina no pé do morro, caindo pra outras bandas, de mansinho, no restinho de calor. O reflexo luminoso sobre o prado encanta meus olhos. Uma grande nuvem, tão rala, combina seu espaço com o azul do firmamento. O cenário cativa qualquer um que espera a noite para amar. Noutro dia, por certo, voltará. E brilhará!

Comentários

  1. Falar do simples exige maestria, pra não ser piegas. E o texto faz isso: traz a beleza da paisagem de forma espontânea, acrescenta sonoridades, rimas internas, fazendo o leitor se perguntar se é prosa ou poesia. É prosa e das boas, em um encantamento poético. Um canto à natureza. Parabéns, Marcos!

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    1. Obrigado, caro mestre! É muito bom contar com seu incentivo! Abraço fraterno!

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